sexta-feira, 31 de julho de 2009

Um problema que deixou de o ser - Alertem por favor.

Bem que me apetecia vir aqui de vez em quando deixar um post simpático, amigável, caloroso, afectivo e tranquilo, mas realmente todos os dias acaba por acontecer-me algo que por este ou aquele motivo me aniquila a inspiração e castra a vontade.
É que, seja por motivos profissionais ou pessoais, e meus ou das pessoas que me são mais próximas, queridas e amigas, o que me acontece mesmo é viver cada dia carregado de stress, e alguns até à beira de um ataque de nervos.

E hoje não fugiu à regra e logo pela manhã.

A minha primeira tarefa diária é consultar pela internet a conta bancária, pois com esta fome colectiva de dinheiro que (quase) toda a gente anda, às vezes tenho surpresas desagradáveis e se não estiver atento acontecem “desastres” em catadupa e lá apanho por tabela.

Só que hoje deparei-me com um roubo de dezenas de euros em juros de “x”, impostos de “y” e taxas de “z”, etc, etc, motivados por ter feito um depósito na maquineta em vez de o fazer ao balcão. Fui vitima de um embuste quando numa gentileza triste de cumplicidade forçada e antevendo o desemprego que usarmos a máquina lhe vai causar, o desgraçado do funcionário ma indicou para fazer o depósito ...mas não me informou das diferenças, logo do roubo de que ía ser alvo. É que no Millennium BCP fazer um depósito ao balcão ou nas máquinas não é a mesma coisa.

E lá fui eu reclamar de imediato ao balcão em causa, mas mesmo brandindo provas inequivocas fui sendo empurrado de funcionário em funcionário e a culpa era sempre do sistema, da hierarquia superior e de quem não estava ali para dar a cara. Mais, reclamava do mesmo que já em tempos reclamara e fui ressarcido, logo com “jurisprudência” a meu favor. Mas nem mesmo assim resolveram a contenda.

Enfim... o que me faz ficar fulo é a pequenez e impotência que sinto ao ser levado para labirintos desenhados à medida para ser considerado um mentecapto.

Definitivamente, a banca e outras empresas/instituições de grande envergadura como telecomunicações, etc, são umas vigaristas que roubam à descarada e com consentimento do Estado/Poder. Alias, poder esse que nas suas pessoas individuais são propriétários delas ou financiados por elas para serem eleitos para o dito poder e assim fecharem o circulo proteccionista.

Mas isto é do senso comum e basta fazer uma pesquisa pela net para conhecer milhares e milhares de casos/queixas.

E como hoje estava decidido a ir mais longe na reclamação fiz uma pesquisa na net para me inteirar de outras situações semelhantes e agir em conformidade. Foi numa dessas que me cruzei com um blog “http://cidadaniaresponsavel.blogspot.com” que reduziu a nada o meu problema com o banco.

Eis a transcrição:


“Esclarecendo... para não acontecer com nossos filhos, netos ou bisnetos

De uma querida amiga, recebi este e-mail que penso ser de muita utilidade dadas as explicações nele contidas. Tal como ela, das poucas coisas que odeio neste Planeta, uma delas é o facto de existir esta raça nojenta de pseudo-humanos, a escória da escória social em qualquer parte do Mundo.

'De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto'. (Ruy Barbosa)

O FBI produziu um relatório em Janeiro sobre pedofilia. Nele estão colocados uma serie de símbolos usados pelos pedófilos para se identificar. Os símbolos são, sempre, compostos pela união de 2 semelhantes, um dentro do outro. A forma maior identifica o adulto, a menor a criança. A diferença de tamanho entre elas demonstra a preferência por crianças maiores ou menores.

Homens são triângulos, mulheres coracoes. Os símbolos são encontrados em sites, moedas, jóias (anéis, pingentes,...) entre outros objetos.

O link abaixo leva a uma copia em .pdf do relatório aonde os símbolos são mostrados. Acho os pedófilos a pior escoria da humanidade e conhecer esses símbolos para poder identificar essas pessoas e o mínimo que podemos fazer. Ao encontrar um símbolo desses, avisar a policia.

https://secure.wikileaks.org/leak/FBI-pedophile...-
[i]Se o link acima não funcionar, copie e cole no seu browser para abrir


Os triângulos representam homens que adoram meninos (o detalhe cruel é o triângulo mais fino, que representam homens que gostam de meninos bem pequenos); o coração são homens (ou mulheres) que gostam de meninas e a borboleta são aqueles que gostam de ambos. De acordo com a revista, são informações coletadas pelo FBI durantes suas vasculhadas.

A idéia dos triângulos e corações concêntricos é a da figura maior envolvendo a figura menor, numa genialidade pervertida de um conceito gráfico. Existe um requinte de crueldade, pois esses seres fazem questão de se exibirem em código para outros, fazendo desses símbolos bijuterias, moedas, troféus, adesivo e o escambau. Infelizmente, é o design gráfico a serviço do mal.”


E pronto, apesar dos meus problemas, eis um motivo muito forte para os tornar secundários e dispensar um pouco do meu tempo com mais este alerta da podridão humana e de valores a que chegamos. E só restamos nós, porque a nossa justiça já provou a sua impotência e cumplicidade ao não julgar “Casas Pias”, BPNs”, BPPs”, "Freeports", etc, etc, ...senão reparem na diferença do que se passa noutros países e em casos semelhantes. Uma das provas bem recente é já terem condenado o “Madoff”.

È certo que a sociedade sempre teve os seus problemas, mas atingimos os limites e a coisa vai correr muito mal tal a contaminação e disseminação na alta esfera da politica, da economia, dos mídia e até da cultura. E para recordar que assim foi a diferença activista de quem tinha/sentia obrigações sociais, leiam abaixo o que escreveram à época dois dos nossos ilustres escritores. Alguns ainda tentam, mas, e só a titulo de exemplo desta democracia europeia vestida de ditadura completamente descarada, No seu último livro Saramago denunciou Berlusconi, e, única e simplesmente foi decretada a proibição da publicação em Itália. O cúmulo, é que tal proibição para além de não resultar, ainda aguça mais a vontade de o ler, mas mesmo assim, nem se importam de caír no ridículo de proibir.


Eça de Queiroz, 1872


“Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O Estado é considerado na sua ação fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte, o país está perdido!”


Guerra Junqueiro, 1886


"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas..."

E agora façam como eu.... emprestem um bocadinho do vosso tempo e alertem vocês mesmo ...e seja como e onde for... mas alertem por favor.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Uma vénia a todos/as homossexuais.

Porquê este titulo sendo eu hétero?
Porque me apetece cada vez mais continuar na senda dos “Tabus” e estremecer mentalidades adormecidas no conforto da “normalidade” - e mais não seja para eu mesmo ir aprendendo. E aprendo mesmo.
Por exemplo, descobri que na masturbação a orientação sexual é neutra porque não interfere fisicamente com terceiros - o que não tinha pensado sequer por causa de “sofrer” da tal normalidade hétero.
Já perceberam que de novo me reporto ao post "palavras tabu... ainda" onde falei de Onanismo, e que mais uma vez tive uma imensidão de leitores/as (desta vez quero definir o género) mas que mal “abriram o bico” - quer comentando quer em mensagens privadas – já nem as de desaforo com puritanismos “demodés” me fazem.
Será que intimido?
Será que me ignoram de verdade?
Será falta de opinião formada?
Será?... que será?
Vá lá respondam-me. Só é preciso um pouquinho de coragem e soltarem-se dessas castrações - não estamos na época do cinto de castidade. Como dizia o slogan - “vão ver que não doi nada”.
Caramba... se masturbar-se é coisa que aproximadamente 70% da população confessa fazer, porque não falam nisto... só por terem a identificação de um perfil que normalmente nem é nada identificativo?
Se for o caso crio um blog de participação completamente anónima.
Voltando ao tema com que título este post. É aqui que entram os/as homossexuais.
São uma pequena minoria e mesmo assim foram maioria a falar-me e com um à vontade e lucidez que merece o meu aplauso. São mentalmente mais abertos e refrescados, mais abrangentes e mais conscientes do que é a sexualidade – a sua e a dos outros mesmo de outras orientações. Também são mais dotados de capacidade analítica nesse campo e tem uma visão mais global e limpa da sociedade e dos comportamentos humanos, sociais e inter-pessoais.
Antes de continuar sinto que preciso de deixar esta nota - Quando digo homossexuais quero dizer pessoas cuja identidade sexual assenta na atracção pelo mesmo sexo mas e cujas práticas e comportamento social, relacional, afectivo, erótico e sexual é processado com boa conduta, descrição e preservação da intimidade... digamos que como os heterossexuais - os também bem comportados obviamente.
Mas não confundam com transexualidade e travestismo porque são coisas completamente diferentes.
É certo que aparecem colados à homossexualidade oportunistas de todo o tipo – desde a “aberração Castelo Branco” que nunca percebi a que tipo de audiência deve ele o mediatismo que tem -, às espampanantes “paradas gay” que não fazem mais do que denegrir a verdadeira imagem da homossexualidade. Mas não apontem o dedo já porque a heterossexualidade também tem algumas “aberrações” como um “Zézé Camarinha”... e por aí fora...
“Apartes” à parte, o tema nem sequer é novo. Diria quem tem o tempo da humanidade.
Sabe-se que as relações homossexuais sempre estiveram presentes em toda a nossa história, em diferentes sociedades e culturas - mesmo nas civilizações mais antigas.
Mais conhecida e por estar presente na literatura da época é a dos Romanos, onde a prática homossexual era comunemente aceite e até praticada algo ostensivamente.
Na Grécia ainda ganhou mais expressividade pois também era relacionada com o intelecto e físico ao ponto de ser considerada mais nobre do que o relacionamento heterossexual.
E por aí adiante - basta pesquisar para encontrar uma infinidade de artigos sobre o tema.
Ahhh! ...e não é preciso ser homossexual para fazer isso. Eu não sou e fiz. E também não vai beliscar a vossa orientação, e... ninguém precisa de saber
Vão é aprender a perceber que hoje é vista um pouco de todas as maneiras e tende a diluir-se, perder protagonismo e normalizar-se com a evolução dos costumes, mudanças dos valores e do padrão moral, a ser tratada com mais naturalidade e transparência de forma a permitir a sua assunção e sem qualquer constrangimento ou sentimento de culpa, e mais liberdade para assumir e demonstrar a sua orientação sem qualquer constrangimento como qualquer ser humano tem direito.
E para concluir, é mesmo esta diferencição da dita normalidade e maioria hétero, que os “obriga” a sentir, pensar, descodificar, apreender e analisar a sexualidade de uma forma mais latente, despudurada, franca e objectiva. Sem dúvida um exemplo a seguir pelas pessoas hétero. Eu sigo, daí a minha vénia.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Palavras Tabu... ainda...

Como no meu post "O rosto do prazer" se cumpriu a minha previsão de muitas visitas mas imensos silêncios e um feed-back paupérrimo, até de perfis (aparentemente) mais “corajosos” - uma nota negativissima para o género masculino que quero denunciar publicamente, aqui está mais um na senda do anterior e a atrever-me a desmistificar, enfrentar e afrontar esses tabus.
Coito, onanismo, orgasmo e anorgasmia, felação, cunilíngus, anilingus, fisting, sadismo, masoquismo, e a mistura de ambos – sadomasoquismo, hipererosia, ninfomania, tantra, kamasutra, zoofilia, fetiches, exibicionismo, etc, são termos que tem na gíria popular imensos sinónimos - do calão mais agreste às metáforas mais sofisticadas -, que variam consoante a região, classe e cultura. Mas nem mesmo com essa abundancia para todos os gostos e feitios, deixam de ser considerados tabu.
É daquelas coisas que se verbaliza só intimamente, mas nos vem à cabeça com muita frequência - e até se adivinha na dos outros. A verdade é que raramente se tem “estaleca” para o dizer descomplicadamente e em alto e bom som.
Será porque é feio ou se teme consequências nefastas? Será poque seria muito atrevimento ou nos poderiam considerar depravados? Será porque é pecaminoso ou injurioso?
Eu acho que todos concordamos com as respostas afirmativas para estas perguntas, mas ao mesmo tempo intimamente negamos todas elas... até porque não vai demorar muito e estamos a praticar alguma das situações que encaixam nesses temos. È daquelas coisas que se faz o mais que se pode e se cala o mais que se consegue.
Mas eu falo
Da primeira – coito - não vale a pena pois é a mais vulgar e admitida... melhor – é a nossa origem mesmo. Alias, não fosse esta verdade inequivoca e alguns ainda o negariam, mas isso é coisa para o catolicismo... ou para o Espirito Santo (não confundir com o Banco) .
Vou falar da segunda - Onanismo
Incialmente o termo englobava qualquer forma de coito incompleto tendente a evitar a fecundação, mas progressivamente foi-se tornando sinónimo quase exclusivo de masturbação.
Não tenho receio em dizer que tirando a primeira (coito), é das minhas práticas sexuais favoritas.
É também dos temas que mais desinformação produz e fonte das idiotices mais absurdas que já ouvi. A sociedade encarregou-se de nos mostrar sempre a masturbação como um hábito insidioso, nojento, proibido, perigoso, e praticada por iníquos e ímpios. Alias foi asim que nasceu a palavra do latim “manus turbare” que quer dizer sujar as mãos.
Pode sujar mas lavam-se .
Ainda se continua a pensar que as pessoas de bem não se masturbam. Algumas dessas dizem até que nunca se masturbaram. Acredito estejam a dizer a verdade, mas nas que acrescentam que nem querem ouvir falar, não acredito. Outras, as que dizem que provoca acne, cegueira, queda de cabelo, etc deveriam ficar caladas – taditas...
E assim, durante muito tempo a masturbação foi o bicho papão da frágil aprendizagem sexual e para muitos, ainda hoje o é.
Quando se pensa intimamente ou fala honestamente sobre este assunto com outras pessoas, não há como esconder as evidências. A masturbação é uma prática, no mínimo, agradável, feita por quase todos, com maior ou menor regularidade, quase sempre individualmente e com mais ou menos pejo.
Os adultos negam-na mais do que os adolescentes mas não me parece que esta prazerosa prática seja exclusiva deles ou de adultos considerados depravados sexuais. Não há idade para este prazer. Masturbar-se é conhecer o corpo, e saber onde tocar-se ou tocar em outrem é tão importante como saber ler e escrever – sexualmente, claro -, e nem é preciso ir para a escola..
Atrevo-me até a dizer que feita a dois por vezes vale mais do que uma relação sexual tradicional desajeitada e em que o desconhecimento mútuo acaba por transformar-ne num ruinoso insucesso. È certo que não preenche as mesmas áreas, mas não é menos desprezivel.
Também não se pode considerar só um “pré-sexo” integrado nos preliminares, ou um “pós-sexo” quando um falha o timing do orgasmo do outro. É uma forma de sexo como qualquer outra e pronto. Não há razão para se ver este acto com menos “qualidade”, como também não há para considerar falhado quem a pratica/aprecia.
Também é mais abrangente. Permite melhor conhecimento de si e a partilha com outrem, mas ao mesmo tempo também uma satisfação egoista tornando possivel o prazer sem a permissão do outro. Não conheço outra forma mais cabal e ambivalente de libertação sexual que esta – desde a que mais nos mostra à que mais nos esconde, e à que nos permite partilhar mas libertos da “submissão” aos desejos e necessidades de terceiros.
A internet - tinha de falar no famoso “sexo virtual” -, veio dar um bom empurrão a esta prática. No entanto, penso que mais quantitativa do que qualitativa, pois se não encarar presencialmente o outro ajuda a desinibir e a ganhar coragem, também é porque se precisa desse estímulo externo mas privado e dirigido a nós mesmos, logo uma presença, que mais do que ausente, pode volatizar-se num ápice e deixar-nos dependentes. Mas do mal o menos, porque às vezes é um passo para o contacto real e de sucesso. Mas muito cuidado - há por aqui muito “gato por lebre” e quando se descobre a frustração é enorme e os efeitos desastrosos.
Finalizando, a masturbação faz parte de uma sexualidade saudável para todos e quer se masturbem sozinhos ou acompanhados, a si ou a outrem, mais que uma vez por dia, apenas algumas vezes por mês, ou até menos que uma por ano, não faz mal nem é vergonhoso. É bom. É optimo...

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O rosto do prazer

Este resumo não está disponível. Clique aqui para ver a mensagem.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Sexual...Idade

Este fim de semana a minha “parvónia” ficou quase deserta por via de um acontecimento futebolistico único.
Já gostei de futebol mas uma passagem pelos meandros do dito provocou.me um enjoo tal que deixei de fazer parte desse "tribalismo" e como tal fiquei por cá a vigiar os ladrões .
Realmente foi uma sensação estranha e ao mesmo tempo deliciosa e me fez recuar no tempo... aquele tempo em que a calma era o estado normal, o stress ainda não tinha feito a sua aparição, os estacionamentos abundavam e nada estava superlotado.
Este regresso às memórias de outros tempos, que embora não muito distantes cronológicamente me pareciam ter sido à uma eternidade, fizeram-me querer sentir na pele este recuar momentâneo no tempo e a oportunidade única para o sentir da forma mais real possível.
Foi assim que surgiu a ideia de ir recordar o “beber um copo” de outros tempos num local emblemático e praticamente único da minha juventude, um bar ainda resistente no meio de um “vai-vem” infernal que hoje é o aparecimento e desaparecimento de bares conforme a onda de uns quantos lideres que levam o resto da trupe consigo.
Para meu espanto, o local mantinha ainda muitos vestigios da “traça” como o conheci, estava com uma lotação muito razoável o que confirma a minha opinião sobre o abandono dos jovens pelos acontecimentos futeboleiros, e apesar da faixa etária dos frequentadores ser menor da dos da altura, fiz uma deliciosa e instantânea viagem no tempo.
Depois de instalado num local mais tranquilo e menos barulhento (os meus gostos musicais são como os meus tímpanos... muito sensíveis às mudanças), lá percebi que as espumas daquela poltrona não tiveram comtemplação com a quantidade de rabos que as aconchegaram, mas lá suportaram o meu mesmo fazendo gemer as lombalgias que a idade me presenteou “ad eternum”.
Recomposto do desconforto, do choque das memórias e das diferenças entreguei-me à minha típica e indelével forma de ser/estar – observar.
Foi aí, que mesmo sem a menor intenção, sintonizei-me na conversa vizinha, uma mesa composta por 6 “chavalitos”, (4 chavalos e duas chavalas) uns pelos outros a rondar os quinze anitos.
Mas a conversa era era de vinte ou trinta... ou até sem idade, mas naqueles chavalitos ainda a lutar com a acne é que não esperava fosse.
Não sou nada conservador e muito menos retrógrado mas ao ouvir aquilo tudo e conjugar com a repetida mas presente vaga de distribuição de preservativos nas escolas, fiquei super interessado e absorvi tudo.
Dizia um deles:
“a minha namorada não gosta nada que use a camisa, diz que assim não se consegue vir”.
Um outro replicou:
“eu não uso, quem não se consegue vir sou eu”.
Uma delas disse logo de seguida para o segundo:
“dahhhh! Comigo obriguei-te a usar e vieste-te”.
Diz um terceiro:
“Olha, eu até gosto de usar, não me aleija o prepúcio... aquela merda depois arde!!!!!.”
Replica a segunda:
“ para mim tanto faz, só deixo que me lambam e chupem o grelinho. Quero chegar virgem ao casamento e assim não é preciso nada comigo”.
Diz o primeiro:
“Vais chegar vais, o F------ disse que até te enfia o punho por lá dentro..."
E assim sucessivamente se desenrolou a conversa com mais ou menos o mesmo teor.
Observei que havia um quarto elemento masculino que não dizia nada mas se mostrava excitado com tudo o que ouvia, e também reparei que os mencionados namorados/as que cada um falava não estavam presentes.
Concluir alguma coisa disto é que foi dificil, e se é que consigo chegar a conclusão alguma mesmo um dia depois.
O que me ficou a parecer é que técnicamente conhecem até os pormenores, mas que conscientemente não estão nem perto do que é e como/quando/porque acontece um acto sexual.
Para eles sexo pareceu-me o mesmo do que ir jogar bilhar no meu tempo, onde cada um se desenfia como pode, dá a tacada como sabe ou gosta e o que importa é meter a bola no buraco. Nem isso, pois para ir jogar bilhar tinha que saltar o muro, esconder-me na correria até ao salão de jogos e tornar quase religioso o acto e manter segredo... senão em casa levava pau.
Afinal onde está a essência do namorar?
O que será que pensam da responsabilidade do acto de “brincar” ao sexo?
Que educação sexual tem?
E dada por quem?
Alguém lhes diz que há mais vida para além do divertimento e prazer?... e não falo só de sexo.
Que recado passam os educadores ao distribuir preservativos?
E os pais onde estão?
Ontem estavam no futebol mas...
E tantas mais perguntas que teria para fazer, mas as minhas serão as mesmas das vossas, daí que me dispenso.
Sexo é bom e é um prazer que deliciosamente nos persegue a vida toda, mas caramba, assim tão fácil e banalmente praticado até deixará de o ser.
E mais não digo... deixo para vocês que muito terão para dizer também.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A busca do corpo perfeito

Nestes últimos dias não me tem apetecido escrever. Ando mais numa de ler e digamos que em busca de inspiração, mas é falta de apetite mesmo...
Só que ontem vi o debate na Sic sobre a busca do corpo perfeito e o apetite voltou.
Salvo algumas corajosas e honrosas afirmações de uma minoria no todo dos/as participantes, foi muita a hipocrisia, o cinismo e a falta de sensibilidade/seriedade para um tema que tem tomado a dianteira nesta nossa sociedade altamente elitista e estereotipada.
Ouvi afirmações que me deixaram apavorado. Não vou fazer o resumo e talvez até encontrem na net todo o debate. Mas esta do cirurgião plástico Ângelo Rebelo é de bradar aos céus. Diz ele que para os adolescentes (com menos de 18anos) a cirurgia plástica pode resolver o problema da aceitação social e que é melhor isso do que ficar trancado em um quarto. Caramba, o homem é formado e informado, e com responsabilidades sociais acrescidas nestes assuntos.
Não vou dizer mais nada e tirem as vossas conclusões, apenas quero acrescentar um dado estatistico de 2001 e que diz ter-se gasto em todo o mundo cinco vezes mais em implantes de silicone e em Viagra, do que na pesquisa da doença de Alzheimer.
Nem quero imaginar qual seja o número de multiplicação actual, mas maior que cinco é seguramente.
Assim, pode-se prever que em poucos anos, haverá um grande número de pessoas com seios grandes e grandes ereções, mas sem qualquer outro valor a não ser o económico. É que isto é coisa para quem tem poder de compra. E pior, se não cuidarem também da beleza e vigor mental podem até nem se lembrar para que servem.
Termino com uma frase de Woody Allen que vem a preceito:
“Só existem duas coisas importantes na vida. A primeira é o sexo, e a segunda...eu não me lembro.”

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Ensaio sobre a cegueira virtual - versão M/F

Não, não vou fazer qualquer dissertação sobre a obra do nosso Nobel nem falar do filme inspirado nela. Mas usando a conotação do titulo, obvio que o que vou falar se insere no mesmo universo algo sórdido e que denúncia a manipulação, a miséria, a hipocrisia, a futilidade e a precariedade dos comportamentos e valores desta nossa sociedade contemporânea.
Vou falar da cegueira que provocam as fotos pessoais (ou não... o que levaria para outro ensaio) de muitos perfis que abundam por estas bandas. E femininos e masculinos... mas definitivamente mais femininos.
E porque vou perder tempo a falar disto?
Por muitos motivos que vou entranhando e somando nestas andanças, e particularmente por um post recente de uma amiga destes meios que tive o previlégio de conhecer. Uma mulher que reune em si mesma o encanto das palavras, da beleza fisica, do poder de sedução e de uma capacidade psicanalítica do género masculino tão grande que é capaz de reduzir um homem a uma marionete. Alias, o tamanho do seu caracter demonstra-se ao dar-me autorização que o use mesmo sabendo do tema sobre o qual ía escrever.
Eis o seu post.

“As mulheres têm o mundo na mão se assim o quiserem!!
Saí cedo esta manhã para tratar daqueles assuntos aborrecidos que se resolvem em instituições bancárias. Ora, nariz empinado como eu , escolhi as agências mais centrais! Vem a censura amanhã, tipo, «estás a ser elitista!». Sou sim.
Prefiro sítios de gente gira, onde até os arrumadores se vestem bem e o jornal que enrolam para facilitar as manobras são de alguma qualidade intelectual e não simples diários que contam as desgraças do pobre e do pobre de espírito!!!
Bom , a primeira onde fui estava a abarrotar de gente, quase toda com alguma idade e que por mais máquinas e coisas afins se coloquem nos Bancos, preferem uma palavra! Mais segurança. Entendo.
O gerente apareceu. Sisudo, antipático, a apontar a frieza das máquinas…levantamentos depósitos…os outros assuntos têm funcionários específicos! E a menina?
Olhei para o lado…não vi menina alguma. A menina era eu! A menina precisava de algumas informações…porque a menina…está casada com comunhão de adquiridos…mas separação de automóveis…precisa de um só para si!
Sorri, expliquei docemente o assunto, fixei o seu olhar…aliás acompanhei o seu olhar que indescritivelmente se fixou no meu decote, puxei suavemente o meu cabelo para o lado e coloquei o meu colar de bolinhas verdes bem ao centro dos meus seios. Tudo num gesto bem simples. Sem querer nada em troca!
Talvez seja melhor esperar pelo tal funcionário, que por acaso está ocupado. Retorqui com voz meiga. Não foi necessário!!!
E num repente passei à frente daqueles tais que precisavam do tal funcionário…um atendimento personalizado inacreditável, um sorriso aberto e estonteante…e uma despedida com um aperto de mão caloroso, com a promessa de que seria sempre com ele que eu trataria dos meus assuntos! Sim. Sem dúvida alguma. Quase perguntei, e da próxima, decote ou mini-saia???
Dirigi-me à concorrência! Quase ao lado. Sim. Porque há que comparar…os créditos são como os homens…tem que haver termo de comparação…como sobe a taxa…como desce o juro!
Quatro mulheres no atendimento. Muito menos gente. O dobro do tempo!
Sorriso frio…aperto de mão gelado! Tal como a taxa o juro e essas coisas chatas!
Definitivamente. Entendo-me bem melhor com os homens!”.

Esclarecedor, não?!
Pois é!
Salvo as respectivas excepções, e excepções são sempre uma minoria, nós homens andamos a sofrer de cegueira, uma cegueira essencialmente por não conseguir ver com olhos de ver. E também salvaguardando as respectivas excepções, a grande maioria das mulheres sabe muito bem dessa nossa cegueira e usa-a fazendo-nos ver o que sabem nunca recusamos a olhar.
Mas serão isto imperativos da génese do “ser homem” ou do “ser mulher”?
Eu acho que sim, mas na minha modesta opinião os imperativos estão subvertidos e a ultrapassar os limites do razoável, e por tal, a causar danos que embora indeléveis são cada vez mais visíveis e mesmo dentro do próprio género.
Senão vejamos...
Os homens estão ser vitimas do seu próprio veneno porque desde sempre usaram a vertente da beleza fisica e do sex-appeal das mulheres. No markting para "promover", nos negócios para "vender", no escritório para "decorar" e "entreter" e no lúdico para o "prazer fácil", tanto enquanto “consumidores” como enquanto "mediadores" (Tudo convenientemente colocado entre"" para evitar confusões).
Mas virou-se o feitiço contra o feiticeiro. Elas descobriram esse poder e agora usam-no em seu próprio benefício – para não dizer contra os homens. Mais, descobriram que esse poder também é eficaz perante o seu género, coisa que no masculino não funciona.
Sabem do seu poder mas não enjeitam ter um dia mundial em sua defesa, sabem da sua mais-valia mas não enjeitam quotas de acesso aos poderes instituidos, sabem que assediam mas permitem serem consideradas as principais vitimas de assédio, sabem que é sacanisse ultrapassar na filas mas fazem-no sem pejo, declaram-se de principais vitimas de violencia doméstica sem se denunciarem a elas mesmas como violentadoras também, e como recentemente provou num país europeu uma associação masculina que defende homens domésticamente violentados.
Mas não se zanguem comigo por dizer isto porque sei que é o preço a pagar... e justo.
Qualquer homem que desinfecte a mente do machismo antropologico descobre de imediato que as mulheres tem mais poderes... e muitos e a muitos níveis. Não é por acaso que os homens sempre as tentaram “domar” negando-lhes direitos inequivocos enquanto seres humanos, e mesmo hoje em pleno século XXI algumas culturas ainda tentam.
Só que essa descoberta e consequente uso é um veneno que silenciosamente também as está a matar.
A sua exposição gratuita e sem nexo em poses provocadoras faz-nos vê-las essêncialmente como objetos de desejo, e com tal sucesso, que depois precisam é de reprimir o desejo que fizeram despertar obviamente sofrendo com isso. Fica-lhes dificil envelhecer e algumas até cobram a vida inteira as estrias que o impulso de ser mãe lhes fez ganhar.
Por outro lado criam invejas daquelas que não possuem a mesma beleza e fomentam entre si disputas nefastas e pouco saudáveis. E depois confundem tudo. E são tantas as que encontro aqui a expor o seu corpo produzindo pura atração física quando dizem que procuram é amizade, romantismo e amor.
Com isto, o que deixam saber mesmo é da proporcionalidade entre a beleza fisica e a mentalidade e cultura que tem. Onde encontramos imensas fotos estão na proporção inversa poucas palavras. Onde encontramos fotos mais provocadores, estão palavras com menos sabedoria. Mas mesmo assim, com isto bem descarado, são às centenas as amizades adicionados … masculinas pois tá claro, e esta constatação é a prova inequívoca da cegueira deles, e delas já agora.
Apetecia-me aqui deixar uma pergunta. Porque raio toda a gente define a amizade como coisa assexuada e sem género, e não é isso que se vê na prática? ...Mas fica para outra altura.
Continuando...
Eu não tenho nada contra o belo e aprecio ver um corpo bonito tanto na vertente artistica como fisica, e sei que cada uma das vertentes desperta em mim sensações diferentes. Mas também sei que não nos devemos esquecer de que o corpo é o sustentáculo da mente e é na mente onde encontramos todas as sensações.
É também nesta mesma mente que temos de definir um corpo sob todos os pontos de vista e não num único de cariz voluptuoso... Há também o funcional, o estrutural, o fisiológico, o anatómico e o artistico. Só assim se assegura um equilibrio relacional e humano normal, tranquilo e pacífico.
Para quem mostra, é importante perceber que com isso está a definir-se no que quer vejam de si, e para quem vê e se deixa atrair está também a definir-se como o vêem.
E aqui não há lugar para equívocos. Não adianta dizer que é por curiosidade, obter atenção, prazer pessoal, compensação de possíveis carências emocionais e que se sentem bem consigo mesmas expondo o corpo publicamente. Tem que saber dos efeitos. Por exemplo: pode sentir-se bem após horas ao sol para obter aquele bronzeado que deseja, e no entanto sabe que está correr riscos de saúde.
Quando uma mulher usa poses sensuais na intenção de obter apenas a atenção e o afecto de um homem, o que provavelmente obterá será pura e dura atracção física. E poderá ser só isto. Pode ser que um homem que se sentiu atraído por uma mulher por causa do corpo desenvolva afecto verdadeiro, mas isto não é a norma... de todo.
Evitem é cair nestas armadilhas e poupem momentos difíceis e dolorosos. Mudem de estratégia. Não exponham tanto o vosso corpo tanto nem de forma tão provocadora. Penso que os homens ainda sabem descobrir e gostam de conquistar. Protejam-se de frustrações evitáveis. Ter algum pudor também é ser bela, e saber preservar-se é outro tipo de beleza apreciado. Um homem que "valha a pena", procura beleza sim, mas nunca dispensará características importantes de personalidade, temperamento e carácter. Se for um compulsivo apenas pelo prazer físico, ou imaturo, aí sim delicia-se com o que vê e esquece-se da importância do resto. Pelo menos ainda não sabe dessa importância.
Aos homens, abram os olhos e mais que isso, vejam... mas vejam é bem o que pretendem.
Nóssabemo-nos mais rudes e primários mas isso não quer dizer cegos.
Há uma diferença enorme entre gostar de estar e gostar de ter, e investir tanto para estar com uma mulher que nos atrai apenas fisicamente dispensando o resto, quando acontece só pode ter como resultado no final o não ver a hora de vestir as calças e fugir. E isso é indecente e dificil de explicar a quem iludimos ou se iludiu com outras expectativas.
E para cegueira de verdade já bastam os efeitos secundários do Viagra... coisa em que caimos conscientemente para assegurar um desempenho à prova de concorrência. È que quando o rebuçado é muito doce há que preservá-lo pois não faltam lambareiros à porta .
E desculpem se feri alguma susceptibilidade mas há coisas que devem ser ditas com todas as palavras.

quinta-feira, 19 de março de 2009

E porque hoje é o dia...

...e porque quero comemorar, fui ao meu "baú" buscar estes dois textos.

Ao meu pai.
O meu pai era um homem puro nas palavras, nos sentimentos e em tudo o que fazia.
Mas eu não sabia.
Todos os dias bem cedo me levava pelo pulso, à missa.
Achava ele que assim eu nunca fugiria.
Mas eu não sabia.
No regresso, íamos sempre ao Café Avenida tomar um galão e comer um pão com manteiga antes de me deixar na escola, só que.... comprava-me sempre uma “chicla” e eu sempre fazia com que ela durasse muito tempo para me adoçar a dor da sua mão forte e segura.
O meu pai tinha sempre um cheiro neutro a banho fresco e isso marcava a sua ausência de vícios e definia o seu carácter.
Era firme como uma rocha.
E muito fiel às suas convicções.
Era a minha grande referência de vida.
Muitas noites sonhava que ele me pegava ao colo e me deixava sentir aquele seu carinho que via nos olhos mas não sentia na pele.
Mas ele não sabia dos meus sonhos... nem eu lhe falava dos meus desejos.
Nem nunca vai poder saber.

Aos meus filhos.
Se amar fosse bastante e capaz de definir o quanto gosto dos meus filhos, dedicava-lhes um poema de amor.
Mas não é.
Ser pai é muito mais que isso.
É repartir o corpo, a alma e o coração.
É tocar num poderoso e único sentimento.
É sentir o âmago da essência humana.
É ter afeições nunca dantes tocadas.
É aprender a amar para saber ensinar o amor.
É amar como teria gostado de ser amado.
É dar o que gostaria de ter recebido.
É ser educador e educando na mesma escola.
È emprestar a sua própria vida e história.
É perdoar como nunca foi capaz de o fazer.
É ver partir sem sofrer.
E sou pai.
Sou simplesmente pai.
Adoro-vos meus queridos filhos.

E hoje tento condensar numa frase.
Um pai é um filho vestido do avesso que ensina o melhor e previne o pior do que aprende enquanto filho.